Ontem na hora do jantar uma fala de meu irmão me chamou atenção, ele disse que a culpa das barbaries que vêm acontecendo é da televisão que banaliza esses tipos de ação. Tal fala me remeteu à teoria do "Bom selvagem" de Rousseau, para você leitor que não sabe do que estou falando eu explicarei.Segundo Rousseau, todo ser humano nasce bom, o que o faz deixar seu lado bom "impraticável" é o não estímulo dessa prática.
Mas e aí?! É o que você leitor deve estar pensando, o que eu quero dizer é, as pessoas andam sem horizontes, sem expectativas, e quando se veem no aperto cometem loucuras. Logo, tal situação pode ser fortalecida ou enfraquecida com o que a pessoa vê, ouve ou vive. Daí enquadra-se a teoria de Rousseau, que nesta hora não é posta em prática.
Vejamos o caso ocorrido ontem (07/04 - quinta-feira) no Rio de Janeiro, alguém consegue entender o porquê daquilo?! Para tentarmos entender melhor voltarei ao atentado do ônibus 174, também ocorrido no Rio de Janeiro.Quando criança Clayton (nome fictício) viu a mãe morrer na sua frente, por causa de tal acontecido o menino (que também já tinha perdido o pai) foi morar com a tia, aonde não era bem aceito pelo marido desta, até que um dia Clayton decidiu fugir. Resumindo, virou morador de rua, viciou-se em drogas, se comprometeu, não teve educação, era analfabeto e não conseguiu emprego quando adulto. Ao entrar na fase adulta entrou para a vida do crime e em um dia de loucura decidiu se suicidar, estava atordoado, subiu armado em um ônibus sem causar desespero nas pessoas. Um senhor percebeu que ele estava armado e chamou a polícia, o resto da história você já conhece.
Agora adapte tal história no caso ocorrido ontem, mude apenas o final, ao invés de colocar o ônibus, coloque a escola pública. Vocês hão de concordar que encaixa-se muito bem. Nos dois casos os infratores não tiveram aplicada em suas vidas a teoria de Rousseau.
A situação se agrava, e principalmente nos últimos anos, pela banalização de atos bárbaros através da TV, e até de jornais impressos sensacionalistas, confesso-lhes que não consigo assistir a atual novela das nove, só tem desgraça (desculpem-me o vocábulo), ela faz da exceção uma regra.
Considerando um povo que não gosta de ler, não procura obras musicais decentes, que não teve acesso a boa educação, que não tem acompanhamento psicológico, mal tem comida em casa e que vivencia em seu país uma reinante ineficiência jurídica, tal apresentação de fatos causa grande estrago, e o resultado é o que se foi noticiado ontem. Sendo a televisão então ao meu ver, um intensificador, e talvez até criador, de planos como o de Clayton ou do rapaz que invadiu a escola ontem.Hoje as coisas são tão comerciais, que acabam esquecendo dos bons modos, ou melhor, das boas ações, que em suma são maiores, mas que são esquecidas por darem menos IBOPE.

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